Caminho de Santiago – Outono de 2008

by supi on outubro 28, 2011

05/11/08

Chegou o grande dia de retirar os quadros de Santiago, no Patio da Universidade de Geografia e História.

Elias Torres Feijo – Vice-Reitor de Cultura, eu, e Carlos Calhom – Presidente da Fundação Via Galego, no Monte do Gozo e em Villafranca del Bierzo. Estaria completo o meu trabalho, que eu havia me proposto a fazer.

Foi com grande emoção que fiz tudo isso, e queria agradecer a todos que me ajudaram nesse trabalho, foram tantas pessoas e amigos que fico até com medo de esquecer alguém, se for mencionar nomes.

Quero agradecer a Santiago que nos deu essa inspiração.

Foram mais de dois anos no Caminho de Santiago de idas e vindas. Agradecer a Virgem pela proteção. Pois foram momentos maravilhosos, de comunhão com a natureza, trabalhando junto com ela, de nervoso quando tinha que resolver algum problema, por exemplo de transportar um quadro que não dava em carro nenhum, uma entrevista que teria que explicar bem o propósito do meu trabalho ou quando o tempo era curto para fazer tudo.

Mais eu sempre tive mãos amigas para me ajudar.

Esse Caminho ele nunca se acaba, ele e o começo de muitos quadros espalhados pelo mundo.

Meu Caminho é Peregrino.

No dia 3 de outubro, estávamos em Puente la Reina para desenterrar os três quadros que ficaram em Eunate, desde o mês de maio.

Em seguida, fomos desenterrar a placa de cobre que havia deixado, também no mês de maio, no Caminho, logo atrás do Hotel El Peregrino na entrada de Puente la Reina.

Os peregrinos que passavam, olhavam com cautela.

Era mais uma etapa realizada.

Depois seguimos para a exposição em Ponferrada.

Chegamos em Villafranca del Bierzo no final da tarde. Jato começou a escolher o local aonde iríamos enterrar o coração. Ele pegou sua varinha mágica, e começou a caminhar lentamente. Quando ela se movesse para cima indicaria o melhor local. Ele fez isso em várias direções.

O coração.

Jato cavou, separando a terra, desde as pedras até a terra mais fina. Ali no veio de água que vinha do altar da Igreja de Santiago, coloquei o meu quadro, com pigmento dourado.

E a terra foi toda colocada em camadas, desde a mais fina até as pedras.

O coração foi ali deixado.

Logo após, Marcelo chegou de Santiago e Jato preparou um jantar delicioso.

Jato também abriu uma garrafa de champanhe, e fizemos nosso brinde a Santiago.

01/10/08

Quando Cheguei a Santiago era porque a peregrinação de deixar os meus quadros na natureza estava completa. Mas alguma coisa me deixava inquieta, sabia que o processo não estava totalmente finalizado.

Me lembrando da minha peregrinacão em 1990, e de varias idas posteriores ao Caminho de Santiago com o meu marido, me lembrei que estava faltando um lugar.

Villafranca del Bierzo, lugar tão emblemático, onde tem a Igreja de Santiago, construção românica erguida em 1186, sua porta norte tem quatro arcos com decoração escultórica que se chama “Portal do Perdão”. Os peregrinos que se viam impossibilitados de continuar o Caminho, ganhavam a mesma indulgência, como se estivessem chegado ao Portal da Gloria em Santiago.

Também me lembrei que quando passei ali pela primeira vez, existia um refúgio todo feito com plástico. Depois voltei alguma vezes, e sempre encontrava Jato e sua mulher Maricarmen. Jato, além de ser um personagem, tem poderes com as mãos, presenciei suas curas, uma delas foi com minha mãe.

Pensei que não poderia deixar de enterrar um quadro lá. Como vinha para a exposição em Ponferrada, aproveitei para pegar um coração que havia deixado em Villoria de Rioja com os meus amigos hospitaleiros: Acácio e Orietta.

Depois vesti os Quimonos que iria deixar enterrados em Santiago como forma de homenagem ao Caminho Sagrado de Kumano.

E partimos, eu, Acacio, Galia, uma nova amiga que conheci um ano atrás em Biaritz e Juliana, minha assistente.

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