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- 1999: Fio das Contas e Carregador de Pérolas
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Fio das Contas e Carregador de Pérolas

Centro Cultural Cândido Mendes - 03/1999
Centro de Artes Helio Oiticica - 03/1999

As mais recentes obras de Christina Oiticica foram realizadas no âmbito de uma dupla ordem. A artista pertence a geração experimental dos anos 70, o que pode ser analisado por meio da instalação "Carregador de pérolas", na qual toda a peça - sacos de filó bordados, pérolas, a sugestão de um jardim japonês e a luz, tom verde, que filtra todo o ambiente - criando uma paisagem tátil, ótica, mais sensória do que intelectual. Já em outra mostra, "O fio das Contas", Christina Oiticica faz o seu intercâmbio com as inovações tecnológicas do final do século, manipulando novos elementos formais ao se utilizar, como veículo, das possibilidades que o computador tem deixado, nas mãos e nas mentes dos artistas. Com a imagem reproduzida por tal meio, a artista "reencanta" as telas, abordando-as pela ação manual do traço, aplicando cera, betume, lacre, ou a velha forma da reprodução, que é o carimbo.

Boa parte das imagens dessa segunda mostra surgiu ao acaso, quando a artista ampliou a imagem de um seio, descobrindo no emaranhado dos rabiscos, a presença de uma figura. Utillizando-se do mesmo processo e aplicando verniz, a artista também pintou - se o verbo ainda é correto para explicar todo o seu processo - uma dupla de telas ovais, próximas de uma abstração barroca.

Unindo o experimentalismo do anos 70 com as novas abordagens técnicas, a dupla ordem proposta pela artista se volta para o desejo de criar uma certa instabilidade nos materiais, captando com as armas tradicionais do artista - o traço, a foto, a química de elementos como, por exemplo, o betume - universos ricos de significação. Há nos seus últimos trabalhados, uma certa inquietação sensual, materializada no seio - elemento da ordem feminina - e as pérolas, o que na lógica do desejo, significa, aos menos para um autor como Georfes Bataile, um limite da sensualidade da troca. Nesse ponto, Christina Oiticica é uma artista devedora do temperamento experimental, que tanto empolgou a sua geração, criando obras para utopias das obras e para as "promessas de felicidade", que a arte tem a obrigação de ser inaugural.

Wilson Coutinho


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Imprensa:
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