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Exposições

- 2007: Caminho Peregrino
- 2006: Inf'action
- 2005: Caminhos Revividos
- 2004: As Quatro Estações
- 2003: Exposição Virtual Sinais
- 2003: 48º Salon Montrouge
- 2003/2002: Caminhos Recolhidos: Época Galeria de Artes e Museu Nacional de Belas Artes
- 2001: Galerie Lafayette
- 2001: Parcours, Récoltes
- 2000: La Maison Du Temps
- 1999: Fio das Contas e Carregador de Pérolas
- 1998: O Círculo e o Ponto, O Ponto e o Círculo


As Quatro Estações

Casa França-Brasil - Rio de Janeiro 08/12/2004 à 23/01/2005
Mestna Galerija - Ljubjana 8-12- 2003 a 20-1- 2004
Galeria Candido Portinari- roma 17 a 31-4-2004

Por Christina Oiticica

O meu trabalho é afetado, queira ou não, por eu estar há um ano e meio muito em contato com a natureza, vivendo as quatro estações do ano intensamente. Elas terminam tocando o meu trabalho.

Normalmente, as coisas não acontecem no plano consciente, elas acontecem no plano inconsciente. Faz parte do universo, do percurso do homem, ir em busca do abrigo e da segurança, um lugar que ele identifique. E o meu trabalho acaba refletindo tudo o que ele conhece e identifica.

O meu trabalho é o inverso do percurso do homem. Sai de casa, da
caverna, e vai para a natureza de novo. É um trabalho peregrino. Ele é afetado pela maneira de ser da própria natureza.

Nós, humanos, lidamos com o espaço. Podemos nos locomover, somos livres no espaço. O vegetal lida com o tempo, ele tem uma existência muito maior. Ele é livre no tempo. Ele é capaz de interromper a germinação da semente, o que no fundo é uma gravidez interrompida, para germinar num momento propício.

Quando deixo meu trabalho nos campos, nas florestas, nos leitos de rios, ele não somente capta o elemento físico, espacial, mas o elemento energético. Quando ele está na natureza, vai se identificando, e ela vai reagir a esse corpo.

A proposta do meu trabalho é ir além das quatro paredes que o protegem, e de usar o espaço e ir além. Ir além e ser afetado pelas condições do tempo, pelas circunstâncias, como dizia Ortega y Gasset.

No ciclo de um ano, onde a natureza vai trabalhando junto comigo; seria uma parceria com a Imaculada Conceição, a terra, que ajuda a trabalhar o corpo ali presente, ajudando na transformação do trabalho como se fosse uma semente, que no final de um ano vai me dar o fruto.

A Arte Desentranhada

A obra de Cristina Oiticica que a partir de hoje a Casa França-Brasil expõe mais do que criada foi, a rigor, desentranhada.

Da mesma maneira que a obra, no artista, emerge das suas profundidades, a obra de Cristina Oiticica, ou pelo menos uma parte dela, regressa à terra e depois dela é retirada cumprido um período de telúrica gestação.

A natureza se faz, assim, sócia de Cristina e cada obra recebe, de alguma forma, uma impressão digital da própria natureza.

Poderosa parceria essa entre o artista e a natureza. Os resultados surpreendem. É como se a mão arbitrária dos elementos completasse a intenção original da artista, trazendo à obra uma especial densidade e singularidade

Cristina Oiticica ao desenterrar suas obras deve surpreender-se, ela mesma, com aquilo que a mão invisível da natureza fez com seus projetos originais.

O resultado final dessa extraordinária parceria é uma arte literalmente inimitável porque em cada caso o arbítrio das águas e dos ventos e os mistérios das pedras e da terra interagiram de forma única sobre a matéria criada.

As próprias vísceras desta nossa velha casa serviram de leito para uma das obras que aqui serão mostradas. Ao emergir trará a marca de antigos sedimentos da cidade do Rio de Janeiro, nos quais mergulhou e de onde depois emergiu.

Não a vi ainda, ressuscitada, e reconhece-la será uma surpresa adicional que nos promete a arte de Cristina que mexe mundos e fundos para nos encantar.

Marcos Castrioto de Azambuja
Presidente da Fundação Casa França-Brasil

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Imprensa:
   - Revista Chiques e Famosos
   - Jornal do Brasil - Coluna Hildegard Angel
   - Revista Flash
   - Jornal do Brasil - Coluna Elvira Vignas


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