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Caminho de Santiago - Projeto em desenvolvimento

Caminho de SantiagoPrimeira Etapa

St. Jean Pied-de-Port / Puente-la-Reina

Voltei ao Caminho que percorri a pé 16 anos atrás. Caminho de estrelas que me levou por florestas, planícies, rios e igrejas até Santiago de Compostela.

Resolvi voltar a ele com minhas telas porque queria que meu trabalho voltasse a nascente de sua espiritualidade, as pedras pisadas por séculos de peregrinação, as planícies inundadas de fé...

Primeiro dia do Caminho: St. Jean-Pied-de-Port, a ultima cidade antes da subida do col de Roncesvalles. Tínhamos chegado, minha sobrinha e eu, na véspera, dia 5 de setembro, para encontrar-nos no dia seguinte com Acácio e Orietta que são amigos e hospitaleiros no Caminho de Santiago.Eles vieram pra nos ajudar não somente a “plantar” minhas telas no chão sagrado mais também para nos guiar com suas estórias e legendas.

Nessa cidade da fronteira, irisada nos montes dos Pirineus, resolvemos caminhar nos passos dos peregrinos, homens e mulheres que, a cada passo, vislumbram os céus e atravessam portais. Entramos assim pela porta de Santiago que nos leva à igreja de Nossa Senhora do Final da Ponte.

Quis recolher-me no dia ensolarado com meus amigos antes de levar minhas telas, parcialmente pintadas, pro alto das montanhas. Queria complementá–las nas montanhas, porque sei que seria lá no alto que receberia inspiração.

Subimos os Pirineus pelo caminho mais difícil e, consequentemente, tínhamos uma visão maravilhosa de todo o vale. Fomos presenteados por uma visão rara: o sol, com todo seu resplendor, banhava de luz as montanhas que normalmente eram sempre encobertas por nevoas. Vimos assim as montanhas nuas, oferecendo suas formas sinuosas e sensuais ao céu de um azul profundo.

Tínhamos chegado ao ponto mais alto e lá achamos, entre um mar de pedras, uma Nossa Senhora com o Menino Jesus de braços abertos. Escolhi esse local que os peregrinos chamam de “mão que toca o céu”. A razão é simples: nessas alturas os peregrinos, depois de subir os caminhos íngremes das montanhas, tem a impressão de tocar os céus.

Levar meu trabalho para as florestas e montanhas não é gratuito: meu trabalho é peregrino, ele sai das quatro paredes do atelier e o Caminho de Santiago é o melhor lugar para ele. Sempre pensava no caminho quando comecei a pôr minhas telas nas terras longínquas da Índia e nas florestas virgens da Amazônia. Agora a energia desta terra vai inscrever suas marcas, visíveis e invisíveis, nas telas.

Levei quatro quadros de uma série que desenvolvi a algum tempo, inspirada de cartões telefônicos. Os símbolos de boca e de coração já beijaram outros continentes e quis que eles viessem impregnar o Caminho. Portanto, desta vez, os símbolos do caminho vieram complementar: desenhei assim uma serie de conchas, símbolo do caminho. Usei uma concha, que comprei em Saint Jean Pied de Port, como carimbo. Em outro quadro, desenhei a silhueta da concha, e na terceira tela colei a própria concha dourada. Na quarta e ultima tela decidi que seria dedicada a virgem, a energia feminina que sempre me guiou na minha criação. Me dei conta ao desenhar que a Virgem, a Deusa, e onipresente, mesmo que o Caminho seja essencialmente masculino, um caminho rigoroso que impõe ao sonhador o destino de seus sonhos. Fiz assim uma coroa azul e usei um pó dourado para representar a via Lacta, abóbada de luz que sempre orientou os peregrinos.

Nesse lugar de prece e de contemplação ficaram os meus primeiros trabalhos do Caminho. Trabalhos que beijam os céus.

Descemos das montanhas em direção à fronteira espanhola, à Roncesvalles. Vimos uma multidão, que é algo fora do comum, e ficamos sabendo que era o dia de Nossa Senhora de Roncesvalles.

Queria colocar trabalhos também naquele lugar, que me trazia tantas lembranças da minha primeira peregrinarão. Que alegria avistar a cruz da igreja de Rocesvalles, que na realidade é um cajado de peregrino transformado em cruz!

No caminho que liga a Burguete, a 300 metros ao sul de Roncesvalles, paramos frente a cruz do peregrino, uma cruz de pedra datada do século XIVque é ornada com a imagem da Virgem. Ali na floresta senti uma forte presença me dizendo que naquele leito de folhas meus trabalhos poderiam ser plantados.

Escolhi mais quatro bocas que completei com a cruz de Santiago, símbolo guerreiro que alia a cruz e a espada. Os ventos nos traziam o lento badalar dos sinos da igreja de Nossa Senhora de Roncesvalles.

Oramos e dali fomos em direção a Puente la Reina, povoado de Navarra, onde todos os caminhos de Santiago se encontram.

Chegamos ao Hotel “El Peregrino”, tomamos nosso banho mais que merecido, e conversamos com nosso amigo hospitaleiro Ângelo que me cedera sua galeria para que possa expor meus trabalhos ano que vem aos peregrinos.

Caminho de SantiagoSegunda Etapa

Pamplona / Puente la Reina

Em caminho do hotel El Pelegrino, Acácio e Orietta quiseram que eu visse Santa Maria de Eunate, uma capela templaria do século XII que fica fora do caminho de Santiago. Na minha peregrinação de 1990 eu não havia passado por lá pois qualquer coisa que me afastava do Caminho nem me passava pela cabeça.

Acácio portanto disse que esse lugar é um dos mais mágicos da Espanha e assim o poder de suas estórias me guiaram pelas planícies pisadas de sol.

Ao chegar na capela, depois de ter percorridos vários quilômetros desde de Saint Jean Pied de Port e de ter plantado vários trabalhos, vi uma construção humilde porém suntuosa. A tarde se punha e o sol que se inclinava atrás dos montes banhava tudo de seu manto dourado.

Eunate, que significa na linguagem dos cultos tanto “cem portas” como “a boa porta”, se revelava impávida naquela tarde clara.

Existem estórias que dizem que esse é um lugar de iniciação mágica, onde homens e mulheres com sede de espiritualidade dão cem voltas em torno da construção octogonal, em busca do portal que os levará ao sobrenatural.

Acácio me disse que um dos lados da capela é feminino e o outro masculino. E Orietta acrescentou que seus arcos, que poderiam ser perfeitos, não o são por uma razão muito simples: os arquitetos templários, por humildade, decidiram não competir em perfeição com os céus.

Demos uma volta em torno da construção e vi que ambos começaram a andar muito lentamente. Acácio estava procurando o melhor lugar para enterrar as telas. Perguntei porque estava andando tão lentamente e ele me disse que na geometria sagrada é possível que uma pessoa possa sentir no ar as correntes de águas subterrâneas. Ele buscava assim os leitos d’água onde minhas telas poderiam ser plantadas.

Portanto, e apesar de querer deixar algo, me dei conta que não tinha mais telas e que teria que me conformar em não deixar nada ali. Sei portanto que ano que vem, quando vier recolher meus trabalhos passarei por Eunate e virei com um quadro dedicado a essa Virgem enigmática.

Pegamos o carro e fomos ao hotel El Peregrino onde me encontrei com Angel para falar do meu trabalho.

Ao chegar nesse hotel lindíssimo e cuidado com amor por ele e sua família, eu expus meu projeto:

“Nessa primeira etapa estou deixando 27 telas entre St Jean Pied de Port e a cidade de Castrojeriz em Castilla Leon. Ano que vem, no mês de Abril virei recolhê-los e plantarei outros de Burgos até Compostela. Quero portanto que a partir de Maio de 2007 minhas telas desta primeira leva sejam vistas na galeria de seu hotel para que aqueles que fazem o caminho possam ver meu trabalho peregrino. Também hei de expor um DVD com o processo do trabalho porque acredito profundamente que aqueles que caminham este sagrado caminho poderão entender minha intenção e partilharam minha visão.”

Angel gostou muito do que lhe disse e aceitou que sua galeria acolhe-se esse projeto pelos próximos dois anos. Isso foi uma benção porque eu precisava encontrar um lugar no caminho que pudesse expor minhas telas.

Esse encontro me trouxe a mente um dos ensinamentos do caminho: tenha sempre um objetivo que guiara seus passos...

No dia seguinte fomos ao Alto do perdão, entre Pamplona e Puente la Reina. Nessa tarde de nuvens carregadas me lembrei de outra tarde resplandecente em 1990. Eu tinha acabado de subir essa montanha quando vi um peregrino basco sentado vestido todo de azul com um chapéu de palha. Ele contemplava aquela paisagem de tons que vão do amarelo ao marrom salpicada de arbustos verdes. Tirei uma foto dele contra esse fundo árido que mais tarde se converteu em meu primeiro quadro do caminho. Dei a esse peregrino e sua esposa, Theo e Juanita, esse quadro em sinal da nossa amizade no caminho.

Dessa lembrança voltei a tarde acinzentada que pairava sobre o Alto do Perdão. Conta uma lenda que o diabo ficava ali tentando os peregrinos com o seguinte artifício: ele oferecia água se os peregrinos parassem de andar e desistissem de sua fé. O bom peregrino portanto continuava e recebia o perdão de Deus.

Por coincidência eu havia levado dois quadros d’água (inspirados de uma serie de quimonos que fui deixando em rios). Esses quadros em particular foram inspirados de quimonos que deixei na Gave de Pau, rio sagrado que passa na frente da gruta de Lourdes. Neles desenhei setas douradas símbolo do caminho.

Esses trabalhos d’água foram depositados no solo por onde corre a água da fonte. Orietta se espantou que eu quisesse deixar meus quadros no lugar aonde o demônio tentava os passantes. Senti portanto que um trabalho que ficou nas águas sagradas de Lourdes não corria nenhum risco e podia voltar ao seu elemento.

Quando terminamos de plantar meus trabalhos as nuvens pesadas desabaram dos céus, trazendo trovoes e relâmpagos. Me dei conta que existia uma sincronicidade incrível. Eu acabava levar água ao leito da montanha por onde passam rios subterrâneos. Desse encontro das águas nasceu a chuva.

No dia seguinte já era o dia de partida, deixei nos jardins do El Peregrino uma tela de boca com o símbolo da Medalha Milagrosa. O Acácio tinha me dito que ao plantar uma tela ali, no lugar aonde eu exporia minhas telas, eu estaria instaurando um ciclo, criando uma egrégora.

Pedi ajuda ao Ângelo que ao ver o quadro me perguntou que símbolo era aquele que era parecidíssimo com sua assinatura. Lhe disse que aquele era o símbolo da Medalha Milagrosa, símbolo que havia sido inspirado a uma freira francesa Catherine Laborée por Nossa Senhora.

Escolhemos um lugar no jardim, perto de uma imagem da Virgem que ele tem escondida, e lá plantamos a décima segunda tela.

Antes de ir pra Sto Domingo de la Calzada ele pediu que minha sobrinha e eu almoçássemos com ele e me deu um presente: um brasão de madeira redonda com os símbolos de Maria coroada.

Mais uma vez vi as correspondências dos símbolos e senti, com toda a minha fé, que o caminho estava comigo.

Caminho de SantiagoTerceira Etapa

Sto Domingo de La Calzada, Viloria de Rioja, Castrojeriz

Santo Domingo de la Calzada e Viloria de la Rioja

Quando chegamos em Santo Domingo de la Calzada, para nossa surpresa, a igreja ainda estava aberta apesar de serem oito horas da noite. Quando entramos um missionário que havia vivido na África fazia um lindo sermão no qual lembrava à congregação que a missão da igreja sempre fora missionária, ou seja, que sempre fora de ir em direção ao outro, de construir pontes entre as culturas. Isso me inspirou muito porque via correspondências com o meu trabalho: um trabalho peregrino que sai dos quatro muros do ateliê para encontrar-se com a Natureza, um trabalho que vai em direção ao desconhecido e nunca é o mesmo.

Acácio, Orietta e eu contamos a Paula, pois era a primeira vez que ia a Santo Domingo de La Calzada, porque tinha uma galinha e um galo branco dentro do galinheiro na igreja. Essa historia eu reescrevi no quadro que coloquei no dia seguinte perto da ponte construída por Santo Domingo:

A lenda conta que um casal de peregrinos alemães, que vinha acompanhado pelo filho e pararam numa casa em Sto. Domingo para descansar. Os donos da casa tinham uma filha que se apaixonou pelo rapaz. Ao ver que esse não lhe correspondia, resolveu vingar-se.

Escondeu dentro de sua bagagem uma peça de prata. Quando descoberto o rapaz foi logo levado a justiça, preso e condenado a morte na forca. Os pais ficaram desesperados, e constataram que o rapaz apesar de enforcado ainda vivia, e foram falar com o prefeito da cidade dizendo que seu filho ainda estava com vida.

O prefeito que nesse momento almoçava, e comia uma galinha e um galo assados disse- o rapaz esta vivo como esse galo e essa galinha nesse prato- nesse momento o galo começou a cantar e a galinha saiu voando.

Foram correndo ao encontro do rapaz, que ainda estava com vida porque Santo Domingo e a Virgem Maria lhe seguravam os pés.

No dia seguinte fomos a Viloria de Rioja, cidade onde Santo Domingo nasceu, visitar o albergue de Orietta e Acácio.

Fiquei muito emocionada ao chegar ao albergue. Vê-se que estes hospitaleiros realmente acolhem aos peregrinos com amor.Ao entrar vi a foto do Paulo (que alias é padrinho do refugio) e um trabalho meu com a imagem do portal de Santiago, onde os peregrinos põem a mão.

Deixei cinco quadros em Veloria de Rioja. O trabalho azul do quimono que havia

deixado na Gave de Pau com setas douradas e duas bocas com conchas.

Voltamos à noite para o jantar pois Orietta e Acácio oferecem uma ceia aos peregrinos todas as noites. Eles querem assim que os peregrinos possam partilhar suas experiências e se enriquecer mutuamente em vivencias.

É necessário esse contato pois as pessoas estão num estado espiritual muito forte e são capazes de perceber coisas que antes nem sequer vislumbravam. A riqueza que se revela nas coisas mais simples tais como ter uma cama para dormir, um teto pra se proteger da chuva, um prato de comida quente, uma palavra amiga se tornam essenciais ao longo do caminho.

No meu trabalho revivo esta experiência religiosa e mágica pois muitas vezes a Natureza me brinda com novos mistérios. Minhas telas e a experiência que elas me proporcionam alteram minha percepção do mundo, tal como o caminhar abre os olhos do peregrino a essência do caminho.

Éramos assim dezessete pessoas para jantar, na sala do albergue, todos reverenciando o privilegio de poder estar juntos depois de um dia solitário com o caminho. Acácio e Orietta fizeram uma pequena prece agradecendo pelos peregrinos de ontem e de hoje.

A presença do Paulo era palpável já que vários peregrinos pedirão pra posar em frente de sua foto. Nesse momento pensei em quantos peregrinos passaram por aqui guiados pela a sua estória, sua vivencia... eu dentre eles.

Voltei para o hotel com minha sobrinha e sonhamos: eu com desmoronamentos (já faziam alguns dias que sonhava com casas e pontes desabando) e Paula com o seu anjo pela primeira vez.

Tive que passar o dia seguinte inteiro trabalhando pra ter uma tela que pôr no leito do rio que passa por Santo Domingo. Pintei uma grande faixa de tela com sete quadros, onde escrevi a historia do santo e desenhei conchas. No final da tarde saímos para plantar a tela.

O rio estava totalmente seco e achei ideal plantar minha tela no seu leito de pedras. As folhas secas no chão, banhadas pelo sol que se punha, me davam a impressão de já estar no outono. Foi um momento muito mágico onde deixei a mente ficar vazia enquanto ia colocando as pedras.

Quando terminamos, os hospitaleiros voltaram para o seu refugio e nos resolvemos andar um pouco pelas pedras.

De noite Paula e eu saímos para ir a um restaurante e presenciamos uma cena muito sinistra: o teto de uma casa havia desmoronado e policias com lanternas buscavam por alguém embaixo dos escombros. Comecei a rezar pois já a vários dias sonhava com isso e via esse pesadelo se materializando frente aos meus olhos. O mais enigmático é que desde então não sonho mais com isso: como se o real decidisse espantar o sonho.

Como tínhamos mais um dia naquela etapa do caminho, resolvi ir até Casrtrojeriz, cidade onde existe uma fortificação em ruínas.

Trabalhei para essa etapa quatro quadros com os signos do caminho:
a concha com a cruz de Santiago,
a concha com a coroa da Virgem,
a concha com a seta,
a concha com o coração de Maria.

Paramos primeiro em San Juan de Ortega, depois de cruzar com um pastor e suas inúmeras ovelhas. Passamos por campos e campos de girassóis não colhidos, calcinados pelo sol escaldante da Espanha. Essa visão sempre me desola porque essas flores que nos traem tanto são abandonadas. Vejo nelas um sinal de que tudo que é plantado um dia deve ser colhido. Que o tempo vira nosso aliado quando decidimos trabalhar com ele, vivencia-lo sem portanto se abandonar. Eu não desejo que meus quadros, plantados com tanto amor e tanta estória, terminem como esses tristes girassóis, esquecidos e cegos ao sol. Sei que vou voltar.

Ao chegar em San Juan de Ortega, nesta tarde cinzenta, fui cumprimentada por uma pessoa conhecida: O padre hospitaleiro José Maria que com seus 80 anos continua dedicando sua vida a aqueles que estão em busca de um refugio.

Me lembrei que há dezesseis anos comi ali uma sopa de alho feita por Juanita, uma basca que conheci no caminho e que vinha comemorando bodas de prata com seu marido Theo. Nunca esqueci essa sopa porque ao ajudar Juanita na cozinha vi uma frase de Santa Tereza D’Ávila escrita da parede, “Entre as panelas, também se encontra Deus.” Mais um ensinamento do caminho: a verdade se revela nas coisas mais simples.

Quis entrar uma vez mais na igreja em estilo românico de San Juan de Ortega que é conhecida por sua Virgem que é iluminada a cada solstício. Nessa época, um raio de sol passa por uma das rosáceas da igreja e ilumina o ventre da virgem. Eu escolhi plantar atrás da igreja o quadro com a concha e o coração de Maria.

Em direção de Castrojeriz, passamos pelo convento em ruínas de San Anton, que hoje em dia além de ser um monumento gótico do século XIV que conserva reminiscências românicas, também é um refugio para peregrinos no verão. Durante vários séculos San Anton funcionou como uma espécie de pedágio no caminho: os peregrinos tinham que deixar pão, vinho ou dinheiro. Hoje o único que resta são os arcos e a abóbada do céu.

Lá eu deixei o quadro da concha com a coroa.

Seguindo pela rua mais longa do caminho, de aproximadamente dois kilometros, existe a colegiada de Santa Maria del Manzano; de lá vê-se a igreja de San Juan que tem os seus flancos dominados pela ruína de um castelo, que no século IX e X, era disputado pelos mouros e cristãos.

Dentre as ruínas da fortaleza, decidi deixar os dois outros quadros: um de concha com a cruz de Santiago e outro com a seta dourada.

Uma vez plantados os meus quadros, comecei a me despedir dessas planícies pisadas de sol. Agora só voltarei daqui a alguns meses para plantar outros quadros que seguirão em frente, até Santiago.

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